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Certo dia eu tive uma espécie de conversa-aula com um renomado executivo brasileiro que, brincando com meu lado engenheiro, disse-me: “Ah, você é engenheiro, então acha que o mundo é cartesiano! Vou lhe contar uma história. Em toda a minha vida tentei contratar excelentes profissionais. Mas fui incompetente, pois sempre junto com o profissional veio uma pessoa”.
Esse é o primeiro estalo de um gestor que quer virar líder: liderança é uma ciência essencialmente humana. E, tomando consciência disso, os seguidores da Mandelli & Loriggio podem navegar por essa disciplina nas próximas páginas, aprendendo, vivendo experiências compartilhadas nos casos, refletindo sobre sua própria realidade e tendo inúmeros e importantes insights.
Nos últimos anos, tive a sorte e o privilégio de participar da criação de uma nova empresa. Se pensarmos do ponto de vista do negócio, não foi um processo iniciado totalmente do zero, visto que ela funciona há anos como parte da diretoria de uma companhia maior. Quando pensamos, entretanto, em um plano de investimento ambicioso e estratégico para trazer novos acionistas, foi uma experiência completamente nova para uma empresa que, agora, precisava andar com as próprias pernas, trazendo uma nova identidade, com cultura e valores próprios e, para completar, no ambiente extremamente volátil que vivemos. Ou seja, uma experiência desafiadora que, sem sombra de dúvida, precisava gerar resultados e, ao mesmo tempo, desenvolver uma cultura de alto desempenho de maneira rápida, consistente e duradoura. Não há como fazer essa construção sem levar as pessoas a “quererem” fazer o que tem de ser feito. Isso é liderança!
Mas e as pessoas? Como embarcaram nesse desafio de dar frio na barriga? (A pergunta vale para mim também!) A brincadeira tinha ficado grande, precisávamos realmente de um exército coeso, e confesso que a minha energia pessoal teria se esgotado se o meu time não fosse o meu próprio combustível. Passados alguns anos, consigo dividir alguns aprendizados que voltaram à memória de forma muito cristalina após a leitura de cada capítulo deste livro:

  1. Autoconhecimento: há anos dedico um bom tempo ao exercício de me conhecer. E não estou falando somente de habilidades e competências. Mas, principalmente, de interesses e de como funciono. Ter as rédeas da minha vida e a consciência das minhas características como pessoa e líder, da minha história e referências. Não é uma simples reflexão, mas um processo, uma ficha que cai a cada dia. O autoconhecimento me leva a entender melhor as outras pessoas, seus interesses e dificuldades para realmente liderar individual e coletivamente.
  2. Conhecendo e liderando um a um: vivo processos de avaliação de desempenho há muito tempo, checando e sendo avaliado em competências, resultados, potenciais, e definindo lacunas para o desenvolvimento. Mas, novamente, só conseguimos resultados sustentáveis quando o elemento humano está presente para uma discussão franca, baseada na confiança. E esta, para mim, é a melhor síntese da aula número “1” de liderança: uma pessoa só estará com você se ela realmente acreditar que tem algo a ganhar com você. Só passamos do fazer para o querer fazer como genuína confiança. As histórias descritas em relação a esse conteúdo no livro são uma grande prova disso!
  3. Um timaço: recentemente, minha grande empresa em desenvolvimento de times, depois de abraçar a árvore e discutir relação durante muito tempo, veio de uma nova abordagem que fizemos para, efetivamente, amadurecer o grupo de forma sustentável. Em vez de começarmos pelas nossas críticas, apontamos nossa admiração um pelo outro. Foi um grande passo para a consolidação de um timaço. Quando conseguimos dizer o que víamos de potência e valores cara a cara, criamos a base da confiança genuína em grupo, e passamos a entender que nos complementamos com nossas diferenças. Fizemos um trato contra a nossa perda de energia, passamos a produzir em um outro patamar de resultados e consolidamos um alto padrão de confiança, mantendo-o como o nosso grande patrimônio. Um time de alto desempenho precisa ser construído com determinação, pois é a soma de vontades individuais de pertencer a um coletivo que faça sentido. A construção de uma equipe coesa e engajada é uma das partes centrais deste livro.
  4. Um exército: liderança pelo exemplo e cultura. Para fazer frente aos desafios, passamos por uma discussão profunda sobre um grande pacto a ser firmado com toda a companhia. Nossos valores dariam o tom de como deveríamos nos comportar, nossa missão apontaria o foco do nosso trabalho. Buscamos, em time, qual era a nossa razão de trabalhar todo dia com paixão. E aí, mais um salto para engajar o time estava por vir. Respondemos com nosso coração, algo que nos tocaria na alma e que era realmente o nosso propósito. Descobrimos que somos loucos por transformar a logística do Brasil, e essa era a nossa maior liga. E a liderança? Sem ela não temos conexão, não temos comunicação direta, não vivemos os valores com exemplos, não aliamos a obsessão pelo resultado à disciplina na execução. A boa notícia é que liderança se aprende, e este livro é um ótimo manual para quem quer se inspirar e precisa de alta performance!

Tenho muito a agradecer ao Mandelli, ao Toti e à Livia por agregarem valor a todo esse aprendizado adquirido ao longo da minha vida. Eles nos ensinam e nos dão ferramentas para sermos líderes melhores, cuidando de um a um, formando times de alto rendimento de forma consistente. Com seus livros e suas aulas, criamos consciência de que armadilhas existem e precisamos atacá-las todos os dias.
Um obrigado especial por nos aportarem ainda mais conhecimento, colocando-nos nos trilhos para fazer o bem, fazer bem-feito e fazer para sempre.
Boa leitura (e muita prática, que é essencial)!
Marcelo Spinelli
Diretor-presidente da VLI

Pedro Mandelli

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Consultor

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