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Tenho estudado comportamento humano há mais de 10 anos, tenho feito parte de pesquisas em universidades internacionais tanto nos Estados Unidos como na Inglaterra e quanto mais conheço sobre o comportamento humano mais desconheço a mim mesma!

Quantos de nós já paramos para pensar em nossos pontos cegos? Quantos de nós temos reservado um tempo diário para refletirmos sobre aquilo que fica na sombra de nosso comportamento e que acaba por interferir na qualidade da nossa performance tanto na vida pessoal quanto em ambiente organizacional?

Neste momento, quem está pensando: “poxa, não tenho pontos cegos!”, Cuidado!, este pode ser seu maior desafio! Quando falo sobre ponto cego, a atenção que precisamos ter é olhar no espelho e conseguirmos enxergar aquilo que fica escondido nas nossas atitudes no dia a dia e que pode impactar positiva ou negativamente nossa vida e nossa performance, além de impactar as pessoas ao nosso entorno.

Para mim, o nosso grande ponto cego é reconhecer como funciona o nosso modelo mental, quais são os nossos traços de personalidade e o nosso nível de Inteligência Emocional que impedem ou impulsionam a nossa performance e a performance dos outros.

Como assim? Somos responsáveis pela performance dos outros? E a resposta é sim! Somos precursores de como as pessoas a nossa volta desempenham, afinal, quando exercemos papel de influência estamos o tempo todo na berlinda; as pessoas nos observam e acabam se moldando a nossa forma de interação com elas. Assim, para mudar o seu contexto, para obter maior engajamento pessoal e engajamento alheio, nada melhor do que entender quem somos, como agimos e o resultado disso em nosso ambiente.

Um primeiro passo para identificar nossos pontos cegos é desligar o botão do automático, isto é, parar de fazer as coisas sem auto percepção, parar com a tão famosa Síndrome de Gabriela: “eu nasci assim, vou viver assim e vou morrer assim”, eu gosto muito mais da Sindrome da Transformação: “eu nasci assim, vou viver de forma consciente e vou morrer muito melhor do que nasci!”.

Para isso precisamos da percepção de que as pessoas só veem a pontinha do nosso iceberg comportamental, que são as nossas atitudes. Por isso, é bom trazer para o plano consciente que o que gera atitudes de alta performance e a prática do protagonismo, que nada mais é do que ter plena consciência dos seus atos e do efeito de cada um deles no meio ambiente. Parece fácil, certo? E é mesmo! Mas isso nos tira de nossa zona de conforto emocional, é muito mais fácil viver a vida no nosso jeitinho medíocre de performance, sem pensar muito e só avaliar as consequências daquilo que somos.

Sair da nossa zona de conforto emocional, significa investir absurdamente em autoconhecimento. Quando vemos os conceitos de liderança autentica, de liderança situacional, como será que conseguimos praticar em alta performance se não soubermos como as coisas funcionam dentro de nós mesmos, na nossa sombra?

Então, vamos ao ponto cego 1: botão do modo manual do comportamento ligado! Protagonismo é o primeiro passo para que sua performance seja percebida e valorizada pelas as pessoas.

Para conseguirmos uma performance diferenciada, assim que desligamos o botão do automático, precisamos nos atentar em nossos níveis de Inteligência Emocional, que diferente do quociente intelectual, pode variar de acordo com os nossos níveis de protagonismo. Então vamos lá, quando falamos de QI precisamos entender que ele varia numa faixa então se nascemos gênios, a não ser por acidentes cerebrais, vamos morrer genios, porém, a Inteligência Emocional você vai mexendo nela durante a sua vida, mas o que ninguém contou, é que para que ela seja desenvolvida, você precisa saber o que e onde mexer.

Estudos nos mostram que lideres de alta performance apresentam altos níveis de Inteligencia Emocional. Vamos entender como lideres de alta performance, aqueles que conseguem mobilizar continuamente as pessoas para fazerem aquilo que precisa ser feito, fomentam a performance dentro do ambiente de trabalho.

Antes de mais nada precisamos sair da nossa caixinha mono, que é a caixinha onde fazemos as coisas do jeito que sempre fizemos. Aliás, fazer diferentes é a grande chave de performance. Einstein já dizia que insanidade é fazer as coisas do mesmo jeito sempre, e querer resultados diferentes… Einstein era sábio….Precisamos sair da caixa mono, fazer as coisas de forma consciente e protagonista.

Autopercepção

Para isso, precisamos de uma das competências de Inteligência Emocional, a chamada Autopercepção; como podemos liderar ou atingir a alta performance e mantê-la se não entendermos nossas atitudes, se não entendermos como elas ressonam nas outras pessoas. O pulo do gato aqui é agir situacionalmente, isto é, entender qual o comportamento seu que é mais adequado para esta ou para aquela situação. Por vezes, o que serve para engajar uma pessoa, não serve para engajar a outra. O pessoal de vendas costuma ser mais agressivo, ter mais a faca na boca, mas se você colocar agressividade no seu comportamento com uma pessoa que funciona com base na gentileza, você perde esta pessoa. O problema de não trabalhar com alta autopercepção é que vamos matando as pessoas no caminho por causa de nossas atitudes e vocês sabem que dá um trabalhão trazer as pessoas de volta pro jogo.

Como aumentar esta competência de IE chamada Autopercepção? Simples, basta você fazer uma reflexão diárias sobre quais seus comportamentos dão certo com esta ou com aquela pessoa e então atuar de forma situacional. Você pode estar pensando neste momento que não dá tempo de fazer estas reflexões, mas aí eu pergunto: onde está seu protagonismo? Você toma banho todo dia, certo? Então, basta pegar os 5 minutos de banho e fazer um “filme”sobre as suas atitudes daquele dia… se vc escrever e planilhar aquilo que viu que era bom para cada pessoa ao seu redor, você aprende 6 vezes mais rápido…olha que delicia, basta querer.

Além disso, para aumentar não só esta mas todas as competências de Inteligência Emocional, você deve praticá-las por 21 vezes seguidas, para o processo ir internalizando no seu modelo mental e então mais tarde tornar-se um hábito.

Empatia

Outra competência que você precisa deixar em alta é a Empatia: como saber o que é melhor para o outro se você não consegue se colocar no lugar da outra pessoa e entender suas reais necessidades emocionais? Uma das grandes chaves para aumentar a empatia e conseguir atingir altos niveis de performance é observar as pessoas sem seus filtros de julgamento, simplesmente observar e então checar a sua percepção com a frase, eu percebo…olha a diferença: Joana, você está muito desengajada, esteve ausente da reunião o tempo todo, eu esperava mais de você. Para, Joana, eu percebo que você estava muito cansada e ausente, estou correto? Na segunda opção você deu espaço para a pessoa se abrir, para falar e te contar o que realmente está acontecendo e então você consegue estabelecer empatia, que é a sua capacidade de se colocar no lugar do outro, mas estando na mesma página que a pessoa e não em cima de seus próprios julgamentos.

Autocontrole

A ultima competência que quero abordar com você é de Autocontrole, ou seja, controlar os seus impulsos. No dia a dia a vida fica tão corrida que acabamos tendo atitudes sem realmente refletir se elas são ou não impulsionadores de auto performance e de performance alheia, cuidado: sem autocontrole, você pode ter uma sensação que te causa embrochment ou invés de empowerment e pode provocar o mesmo nas outras pessoas. Não adianta dar umas porradas na mesa e na hora seguinte querer seu time inteiro para o próximo desafio. Cuidado! Seu autocontrole determina o quanto de trabalho você terá em manter a sua equipe como um time.

Como sempre, o conselho é meu e a escolha é sua!

Livia Mandelli

PhD Student em Comportamento Humano Organizacional

Para entender outros pontos cegos de sua liderança, leia a parte II deste texto.