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Quando eu tinha 20 anos julgava que a correnteza era contra a minha jangada, nada acontecia a meu favor, vejo o mesmo fenômeno se repetir com minhas filhas. Sempre que posso costumo dizer a todos que 25 anos é uma vida, não precisa querer tudo no primeiro ano; o tempo traz a lucidez e consequentemente a paciência de construir aos poucos o caminho para poder passar por ele mesmo e evoluir.

Esse caminho a ser construído refere-se a cinco camadas de alicerce, ou seja:

Conteúdo: não acredito francamente que alguém consiga fazer “cara de conteúdo” e ir muito longe. Saber muito é importante, mas o mais importante, é que as pessoas saibam que você sabe; a chave é construir competência reconhecida.

Contexto: entender o contexto do país, dos negócios, de sua profissão, saber definir uma forma de ser pró-ativo no ambiente e não conviver com o negativo das questões.

Método: cada problema, cada tarefa deve ser equacionada por um método de encaminhamento. Procure colocar etapas na sua cabeça e não só objetivos.

Palco: dominar conteúdo, ser pró-ativo no contexto e pensar em etapas parece suficiente, mas não é. Ser independente e saber articular relacionamentos na empresa e fora dela é essencial; mas, cuidado: articular significa ajudar as pessoas para obter o retorno e não o inverso. Não se esqueça: o seu crescimento é diretamente proporcional ao volume de pessoas que você ajuda a crescer.

Vontade: todos os alicerces são fortes, mas essa é a cola, vontade de perseverar nos itens citados em pelo menos cinco, seis, sete anos para perceber a diferença. Aceitar que a continuidade e a consistência de ação e discurso cria o espaço para que o raio de sol o atinja.

Essas cinco camadas parecem, do meu ponto de vista, um ótimo alicerce, mas não se perturbe com outras pessoas que não têm nada disso mas têm sorte; ora, há pessoas que nascem viradas para a lua e, se esse não for o seu caso, deixe-as quietas, não as inveje e não as siga. Diz um conto que um náufrago, ao nadar vários dias foi parar numa praia, exausto, dormiu. No dia seguinte, ao procurar comida, faminto, viu um jaboti na forquilha de um galho de árvore e pensou: “jabuti não sobe em galho de árvore, coitado, vou tirá-lo de lá”.

Subiu na árvore e, ao pegar o jabuti com muita pena, recebeu uma flechada nas costas e morreu; moral do conto (autor desconhecido): se na sua organização existem jabutis, não mexa neles, alguém os colocou lá, deixe-os quietos, siga seu rumo.

Uma última lição que aprendi: se eu soubesse disso tudo 25 anos atrás, o meu sucesso atual não seria tão gostoso, tão saboreado; a determinação de conquistar o espaço é mais eficaz do que conhecer o caminho previamente.

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